Bebês bilíngues

Em um mundo globalizado e extremamente competitivo, muitos pais consideram que a aprendizagem de um segundo idioma seja um diferencial importante na vida de seus filhos. Mas, qual o momento certo para começar?

13 a 18 meses

Educação

Quanto mais cedo se aprende um segundo idioma, mas fácil é o aprendizado. É o que se diz por aí. E é verdade: os primeiros três anos de vida correspondem à maior construção de sinapses (ligações entre os neurônios) e circuitos cerebrais para a linguagem, a fala e demais sentidos. E quando a família é bilíngue, alguns estudos demonstram que é melhor falar com as crianças usando ambos os idiomas desde o nascimento, pois essa prática lhes permitirá o domínio completo da língua em todos os seus aspectos.

E aprender uma língua estrangeira é ótimo para o desenvolvimento do cérebro. Muitos estudos demonstram que o bilinguismo melhora algumas funções cerebrais como a memória e aumentam a capacidade de atenção e foco, reduzindo a distração e, aumentando as capacidades cognitivas, mesmo as não relacionadas à linguagem.

Por conta disso, muitas famílias se sacrificam para colocar as crianças em escolas de idiomas desde muito cedo. E não existe idade certa para começar. Na verdade, dentro da barriga da mãe os bebês que vivem em famílias bilíngues já aprendem a se familiarizar com a língua materna e o segundo idioma da casa.

 

Sobrecarga de custo e de tarefas

O problema é que os cursos de idioma não são baratos. E, além da sobrecarga financeira para a família, é preciso considerar, também, a sobrecarga de “responsabilidades” que se coloca à criança desde cedo.  Muitos educadores e cientistas afirmam que são muitas as vantagens de educar uma criança para que seja bilíngue, mas o resultado final dependerá da forma que se introduza esse segundo idioma. Não se pode nem se deve impor ou obrigar a criança a falar uma língua que não é a dela. O mais importante é que a criança ouça sempre e se familiarize com o idioma pouco a pouco, sem pressas nem obrigações, num ambiente tranquilo e sem expectativas acadêmicas. 

Muitos pais apostam suas expectativas e suas economias no ensino precoce de línguas, mas devemos evitar as “crianças-executivos”, com agendas cheias, compromissos exagerados e precoces, inadequados para a sua idade e grau de maturidade.  Acima de tudo, observe a criança e, se julgar que ainda não é o momento para alguma atividade, tenha paciência: haverá tempo para ela construir seu currículo mais tarde. 

 

O aprendizado do segundo idioma confunde a criança?

Há quem diga que o aprendizado precoce de um segundo idioma pode prejudicar o desenvolvimento linguístico da criança e, até, causar um retardo na fala, pois a criança acaba ficando confusa entre as duas línguas. Ainda que não existam provas concretas a respeito, o assunto ainda é bastante controvertido.  É verdade que crianças bilíngües podem confundir palavras entre os dois idiomas, em especial no início do estabelecimento da fala e quando as palavras em ambas as línguas são semelhantes. Mas isso é um fenômeno comum que não deve ser motivo de preocupação: essas pequenas confusões tendem a desaparecer com o tempo.

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